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19/08/2022 11:08

NOTA DE PESAR do PPGECEA

 
 
Faleceu ontem, às 21h:45m, vítima de AVC, a pesquisadora SUELY DA SILVA GUIMARÃES (Enga. Civil - UFBA, 1973; M.Sc. - COPPE, 1977). A pesquisadora Suely foi pioneira no Brasil e no mundo em estudos de compósitos cimentícios reforçados com fibras vegetais, atuando junto ao CEPED na década de 80, sendo mais conhecida e reconhecida fora da Bahia do que aqui. Seus estudos de piaçava, bambu, sisal e outras fibras vegetais lhe renderam reconhecimento internacional e apreciação de professores da USP como Vajan Agopian, Savastano, Holmer . Recusou o convite de empresa multinacional para integrar seu quadro técnico por entender que sua pesquisa de fibras-vegetais cimento deveria ser voltada para pessoas de baixa renda. Ainda no CEPED, a pesquisadora Suely Guimarães comandou a parte técnica, viabilizando o solo cimento para habitação popular, conseguindo reduzir o custo das paredes em até 50%. Desenvolveu ábacos inéditos para o dimensionamento de paredes altas em solo-cimento. Trabalhou no projeto AISAM da UFBA para a comunidade da Bairro do Camaragibe, local em que eram frequentes as atrocidades, mostrando na prática como os valores (simbólico e cultural) da casa para a população menos favorecida mudam a postura do cidadão, conferindo-lhe dignidade e respeito, o que rendeu o  texto “Qual o significado da casa?”. Foi convidada pela FINEP a apresentar propostas para criação de cooperativas  populares, tendo em vista o que ela escrevia nos relatórios finais de pesquisa do CEPED financiadas pela FINEP. Ela sempre dizia que não bastava a redução de custos: era necessária elevação de renda. Assim ela criou, junto com colegas oriundos do CEPED, dentro da UNEB, e apoiada pela  UNEB, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), pioneira na Bahia e no Nordeste. Participou ativamente na fundação da Rede Nacional de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares com amplitude em todo o Brasil. A ITCP, atuando na comunidade em torno da UNEB (Engomadeira), realizou um processo educativo, que  iniciava com a história do bairro, de reconhecimento do valor de cada um no bairro. Com isso pessoas analfabetas aprenderam a ler  e outras voltaram ao estudo. As discussões geravam novas formas de se expressar e agir. Findo o processo inicial, escolhia-se coletivamente o produto a ser desenvolvido e a universidade entrava com a geração de tecnologia. Um dos primeiros produtos foi o pão com semente de abóbora, rico em zinco e nutrientes para diabéticos e idosos, desenvolvido a baixo custo, com a contribuição do Grupo de Pesquisa de Nutrição da UNEB. Na época não era reconhecido o uso de sementes de abóbora (eram descartadas). Suely sempre defendeu uma posição mais ativa da Extensão da Universidade, incorporando tecnologia nos produtos desenvolvidos, defendendo sempre a participação dos estudantes (“eram eles que davam vida à Universidade” segundo palavras de pesquisadora) . Muitos outros produtos e ações poderiam ser citadas. Publicou inúmeros trabalhos técnicos nas diferentes áreas que  atuou, deixando um rico legado de realizações e inspirações. A linha de pesquisa do PPGECEA de materiais cimentícios reforçados com fibras vegetais, tendo à frente o prof. Paulo Roberto Lopes Lima, é uma de suas muitas inspirações.  A perda de Suely pela sua grandeza humana e técnica vai fazer falta.
 
O sepultamento será no Cemitério Jardim da Saudade, amanhã (19/08), às 14h:30m.

O velório será pela manhã, na Capela A.

(Fonte: Adaptada da Nota de Pesar da Escola Politécnica da UFBA)
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